hexagrama da act
25 set 2026 3 min de leitura 2 visualizações

Quando ouvimos falar em psicoterapia, é comum imaginar um processo focado em tentar controlar, corrigir ou eliminar pensamentos e sentimentos considerados negativos. No entanto, abordagens baseadas em evidências têm demonstrado que o caminho para o bem-estar muitas vezes passa por uma direção oposta: aprender a se relacionar de forma diferente com o que acontece dentro de nós. É exatamente essa a proposta da ACT(sigla em inglês para Acceptance and Commitment Therapy, ou Terapia de Aceitação e Compromisso), desenvolvida por Steven C. Hayes e colaboradores.

A premissa central da ACT não é fazer com que você deixe de sentir medo, tristeza ou ansiedade, mas sim expandir a sua flexibilidade psicológica. Mas o que isso significa na prática? Significa desenvolver a capacidade de estar presente no aqui e agora, abrindo espaço para as experiências difíceis sem precisar lutar contra elas, enquanto direciona suas ações para aquilo que realmente importa para você.

O que é a ACT e qual é o seu objetivo?

O que é a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)?

A ACT é uma abordagem de psicoterapia baseada em evidências que utiliza processos de mindfulness, aceitação e valores para promover a flexibilidade psicológica e ajudar o indivíduo a construir uma vida significativa.

Em vez de tratar os sintomas como defeitos a serem consertados, a ACT entende o sofrimento psicológico como parte natural da condição humana. O objetivo não é o controle absoluto das emoções, mas sim reduzir a luta infrutífera contra os próprios pensamentos para que a pessoa possa investir sua energia em ações alinhadas aos seus valores pessoais.

Os pilares da flexibilidade psicológica

A eficácia da ACT apoia-se em seis processos centrais que trabalham juntos para promover a saúde mental e a autonomia emocional:

Contato com o momento presente: A capacidade de estar consciente da experiência atual, com abertura e curiosidade, em vez de viver no piloto automático ou preso a ruminações sobre o passado e o futuro.

Aceitação: O ato voluntário de abrir espaço para sentimentos, sensações e pensamentos difíceis, sem tentar fugir deles ou suprimi-los à força. Vale lembrar que aceitação na ACT não significa resignação ou conformismo, mas sim parar a luta esgotante contra a própria realidade interna.

Desfusão cognitiva: Aprender a observar os pensamentos como o que eles realmente são, eventos mentais passageiros, em vez de tratá-los automaticamente como verdades absolutas ou ordens incontestáveis. Pensar "eu sou um fracasso" é diferente de observar "estou tendo o pensamento de que sou um fracasso".

Self como contexto: O desenvolvimento de um senso de "eu" estável que observa as mudanças internas, permitindo perceber que você é muito mais do que suas emoções, papéis ou pensamentos passageiros.

Valores: A clarificação do que é verdadeiramente importante e significativo para a sua vida, como você deseja se relacionar, trabalhar e cuidar de si mesma, servindo como uma bússola para as escolhas cotidianas.

Ação comprometida: O estabelecimento de metas e passos práticos orientados pelos seus valores, mesmo quando o medo ou o desconforto decidem caminhar junto.

Isso não significa que o processo seja simples ou que a vida se torne isenta de dores. A proposta é que, ao parar de travar batalhas internas que não podem ser vencidas, sobra energia para viver de forma mais inteira e alinhada ao que faz sentido para você.


Carol, psicóloga clínica, sorrindo
Caroline Casagrande Psicóloga Clínica · CRP 13/13484

Psicóloga clínica desde 2011, especializada em mulheres na abordagem ACT, atendimento 100% online.

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